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Programa
Preliminar da atual Gestão
30
anos da ABJC: o desafio
de divulgar e refletir sobre C&TI
A
Associação Brasileira de Jornalismo Científico
(ABJC) completa 30 anos num momento singular da história
da humanidade, caracterizado por mudanças imprevisíveis
face às alterações climáticas,
riscos de escassez de água e à necessidade de
novas fontes alternativas de energia.
É
preciso reconhecer que assistimos, paralelamente, a uma evolução
nunca vista na área de Ciência, Tecnologia e
Inovação e que o Brasil tem marcado presença
internacional no avanço do conhecimento..
Neste cenário, em que as conquistas científicas
e tecnológicas imprimem perspectivas de melhoria na
qualidade de vida, ao lado de geração de riscos
até então impensados, os jornalistas científicos
devem estar mobilizados e capacitados para assumir um papel
ativo e transformador no debate sobre a produção
e a divulgação da ciência e da tecnologia
brasileiras.
Em lugar de meros tradutores do conhecimento científico
e tecnológico - pressuposto básico para um jornalismo
científico competente - devemos atuar como protagonistas
no processo de formação da opinião pública,
seja atuando na mídia, nas assessorias de comunicação
dos centros geradores de C & TI, nos museus de ciência
ou mesmo na Academia, onde, prioritariamente, se produz a
ciência básica nacional e se capacitam os futuros
profissionais de imprensa.
Transformações no mundo do trabalho, das relações
sociais e econômicas e também no âmbito
da cultura, muitas vezes aceleradas pela revolução
digital, exigem de todos os produtores do conhecimento capacidade
para dialogar com o conjunto da sociedade, compartilhando
seus saberes e experiências. Neste sentido, é
fundamental que repensemos o papel da ABJC e dos jornalistas
científicos em geral e sua inserção na
sociedade.
Entendemos que a Associação Brasileira de Jornalismo
Científico tem um papel importante a desempenhar na
organização e na representação
profissional e política dos jornalistas brasileiros.
Reconhecemos que é vital promover a democratização
do conhecimento científico, contribuindo para o desenvolvimento
de uma cultura científica e tecnológica que
possibilite uma percepção clara da sociedade
sobre os benefícios e riscos inerentes ao progresso.
Além disso, é necessário despertar novas
vocações para o importante trabalho da divulgação
científica, assim como interagir com professores e
alunos de diferentes níveis de ensino (básico,
fundamental e superior) para uma leitura crítica do
mundo.
Ao longo de suas três décadas de vida, a ABJC
mostrou-se muitas vezes bastante vigorosa e atuante mas, em
outros momentos, apresentou-se extremamente frágil.
A fragilidade tornou-se maior quanto mais permaneceu distante
do conjunto dos jornalistas que, dia após dia, nas
várias mídias, contribuem para a construção
do imaginário e percepções públicas
da Ciência, Tecnologia e da Inovação.
A
fragilidade ficou evidente quando ela deixou de dialogar com
as instituições que representam os produtores
de ciência e com as instâncias que, no setor público,
formulam e executam as políticas brasileiras de ciência
e tecnologia. Defendemos a tese de que a sociedade , os jornalistas
científicos e também os pesquisadores da área
precisam participar ativamente do processo de tomada de decisões
e influir decisivamente para que as prioridades em ciência
e tecnologia, num país escasso de recursos, estejam
em sintonia com a demanda da maioria dos cidadãos.
Pensamos que o aniversário de 30 anos é um momento
privilegiado para a ABJC recuperar os seus momentos de maior
vigor. Temos a convicção de que é fundamental
dispormos de um espaço plural e democrático
para que os nossos jornalistas científicos se organizem
e se mobilizem, por múltiplas formas, através
de sua Associação, para o debate das questões
cruciais relativas à ciência e tecnologia.
Queremos criar condições para a capacitação
dos futuros profissionais e para o estabelecimento de parcerias
com as instituições científicas, agências
de fomento, museus e centros de ciência, órgãos
governamentais, fontes especializadas e com as diversas instâncias
da sociedade civil. Estamos comprometidos com o aumento da
massa crítica na área e dispostos a participar
mais ativamente dos fóruns de decisão. Desejamos
estabelecer uma aproximação saudável
e produtiva entre a Academia, o mercado profissional, o universo
da comunicação e os diversos setores da sociedade.
Fundamentalmente, queremos valorizar a ciência como
forma de conhecimento e de apreensão da realidade,
mas também contribuir para a avaliação
do impacto do progresso técnico na vida dos cidadãos.
Queremos continuar demonstrando que a ciência e a tecnologia,
como produtos do homem, não estão imunes à
ação dos grandes interesses e que, na prática,
devem ser vistas sob uma perspectiva econômica e política
mais ampla e não apenas em sua instância meramente
técnica.
Sentimos a necessidade de incluir os diversos setores da sociedade
neste debate e de nos capacitarmos para, em nossa esfera de
atuação, contribuirmos para um país mais
justo, mais humano e mais democrático.
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